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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes we can

A noite de 4 de Novembro foi a resposta aos que ainda duvidavam que a América é um sítio onde tudo é possível.

Foi assim que começou o discurso de vitória de Barack Obama, perante milhares de pessoas em Chicago e milhões em casa. Na multidão, personalidades como Jesse Jackson ou Oprah Winfrey.

Agradecimentos a John McCain, a Joe Biden, à família e amigos, aos elementos da campanha e ao povo americano…



Apesar das celebrações de hoje, os desafios de amanhã são os maiores de sempre. A situação é difícil, é preciso criar empregos, construir escolas e renovar alianças. Mas [Obama]nunca esteve tão esperançado de que a América chegará lá.

Quase meio século depois, substitui-se o “I have a dream” por “Yes we can”.



A América pode mudar. O exemplo de uma mulher de Atlanta que foi votar aos 106 anos, que assistiu a Pearl Harbour, que viu o homem chegar à Lua, que não pôde em tempos votar por ser mulher e pela cor da pele... mas que vê, agora, o primeiro negro na Casa Branca.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mudar de atitude

Momentos históricos extraordinários requerem medidas extraordinárias e a crise do sistema financeiro internacional continua, provavelmente, a exigir ainda mais decisões extraordinárias, depois do fracasso das tentativas de conter os efeitos explosão da borbulha do subprime, aqui nos Estados Unidos.

A pista é lançada por um gestor português, Carlos Pinho, vice-presidente do CrownBank, com décadas de experiência no sector financeiro norte-americano.

Em entrevista à Renascença, Carlos Pinho reconhece que levará tempo até que possa ser avaliado o custo total de toda esta operação para o contribuinte norte-americano, mas a mensagem do gestor é de total confiança na solvência futura do sistema.

O que aconteceu não foi, afinal, uma falha de mercado, mas sim, a acção concertada do fracasso da política monetária excessivamente líquida, outra falha de uma política de regulação financeira ineficaz, porque complacente, e outro fracasso ainda da política de supervisão.

O contribuinte norte-americano e, por extensão, em tempos de globalização - o contribuinte global, pagará uma factura elevada que pode ser calculada em vários pontos do PIB, provavelmente, durante uma década, mas pode sair mais caro deixar o sistema cair e precipitar o mundo numa recessão económica sem precedentes.

Não se trata mais de socializar perdas privadas, mas como, acertadamente, refere Carlos Pinho, de permitir que o sistema financeiro possa voltar a funcionar com normalidade e confiança.

Já só vale mudar de atitude.

José Bastos, nos Estados Unidos

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Obama relaciona economia com segurança nacional

A segurança nacional na lógica da (nula) experiência em política externa é o ponto mais débil de Obama junto no eleitorado como lembram, uma e outra vez, as sondagens. Ao contrário, a crise financeira é a razão pela qual as consultas de opinião antecipam uma vitória clara a 4 de Novembro do senador do Illinois.

Com estes dados na mesa até a um mediano estratega de campanha ocorreria somar um mais um e ligar os pontos para evitar surpresas desagradáveis, a poucos dias das eleições.

Assim, antes da suspensão da campanha para visitar a avó no Hawai, Obama aludiu, na Virginia, à segurança nacional. Mas, helas, associa segurança à crise económica. “Ouvimos falar de dois debates, um de segurança nacional, outro de economia, mas é uma separação que não faz sentido. Não podemos ter mais um presidente que ignore os fundamentos da economia ao mesmo tempo que atinge deficits records para estar no Iraque” disse Obama.

O ângulo de Obama para a política externa é diferente de McCain: defende o multilateralismo frente ao isolamento dos últimos anos e argumenta que a verdadeira frente da guerra contra o terror está no Afeganistão e não no Iraque, sugerindo ainda a diplomacia conjunta para desafios como o programa nuclear iraniano.

O cenário da viragem foi o apropriado: Obama reunia com um grupo de generais reformados, não perdendo a oportunidade de relembrar o recente apoio de Colin Powell.

O que Obama não explicou aos generais, ou aos eleitores, é como planeia retirar do Iraque e que o governo de Bagdad assuma o que ainda não conseguiu: a segurança do país.

Os pormenores ficam para quando for presidente. Agora é, apenas, o princípio político: “Change!”.

José Bastos

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