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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes we can

A noite de 4 de Novembro foi a resposta aos que ainda duvidavam que a América é um sítio onde tudo é possível.

Foi assim que começou o discurso de vitória de Barack Obama, perante milhares de pessoas em Chicago e milhões em casa. Na multidão, personalidades como Jesse Jackson ou Oprah Winfrey.

Agradecimentos a John McCain, a Joe Biden, à família e amigos, aos elementos da campanha e ao povo americano…



Apesar das celebrações de hoje, os desafios de amanhã são os maiores de sempre. A situação é difícil, é preciso criar empregos, construir escolas e renovar alianças. Mas [Obama]nunca esteve tão esperançado de que a América chegará lá.

Quase meio século depois, substitui-se o “I have a dream” por “Yes we can”.



A América pode mudar. O exemplo de uma mulher de Atlanta que foi votar aos 106 anos, que assistiu a Pearl Harbour, que viu o homem chegar à Lua, que não pôde em tempos votar por ser mulher e pela cor da pele... mas que vê, agora, o primeiro negro na Casa Branca.

Expectativas à altura dos desafios


Depois da festa com epicentro em Chicago, e réplicas em várias cidades, a América já dorme.

Quando - dentro de poucas horas - despertar, irá fazê-lo seguramente voltada para a enorme dimensão da tarefa que o novo Presidente tem pela frente.

Desde logo, a economia em recessão e um país com duas guerras. São questões a exigir respostas rápidas e eficazes.

Em campanha, Obama disse que a prioridade das prioridades é a estabilização do sistema financeiro. Wall Street deu nas ultimas horas sinais de que vai estar com o novo Presidente.

Depois, Obama terá ainda de tentar cumprir a promessa de cortar nos impostos de 95% dos americanos e agravar a carga fiscal de 5%, os que ganham mais de 250 mil dólares. De dar cobertura de saúde a 45 milhões de pessoas, de pagar melhor aos professores, de apostar nas energias renováveis, reduzindo a dependência energética.

Tudo isto custa dinheiro, muito dinheiro que, num contexto de um deficit actual de biliões e biliões, só em parte pode vir da poupança com um regresso antecipado do Iraque, questão que nos leva à política externa, onde promete reforçar a aposta militar no Afeganistão e Paquistão para combater a Al Qaeda. E, claro, tentar suavizar a ameaça nuclear do Irão e a questão israelo-palestiniana.

Irá ser Barack Obama apenas o símbolo de uma nova América ou assumir-se-á como principal actor da mudança?

As expectativas estão à altura dos desafios.

José Bastos, nos Estados Unidos

Resultados preliminares II

São agora 7h30 e ainda se contam votos. Apesar disso, já não há dúvidas e Barack Obama é o 44º Presidente dos Estados Unidos.

Nesta altura, o democrata Obama tem garantidos 338 votos no Colégio Eleitoral contra 160 do republicano John McCain.

De recordar que, para garantir lugar na Casa Branca, o vencedor "só" necessita de 270 votos.

No voto popular, Barack Obama conseguiu 52%, com quase 56 milhões de votos, enquanto John McCain alcançou 51 milhões de votos.

A tomada de posse está marcada para 20 de Janeiro de 2009.

Obama é o 44º Presidente dos Estados Unidos

Já não há dúvidas: Barack Obama é o próximo inquilino da Casa Branca, sucedendo a George W. Bush.

É um dia histórico para a política norte-americana: pela primeira vez os Estados Unidos têm um Presidente negro.

A esta hora ainda não há resultados finais, mas todas as projecções confirmam a vitória do candidato democrata.

Para já, Obama tem, segundo a CNN, 297 votos confirmados no colégio eleitoral, contra 139 do republicano John McCain. De recordar que a vitória se consegue aos 270.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Escolher um Presidente

A jornalista Katharine Q. Seelye, do New York Times, faz uma retrospectiva dos últimos dois anos na corrida à Casa Branca.

Vários meses de luta interna em cada um dos partidos resultaram em dois nomes: McCain e Obama.

Seguiram-se poucos meses de campanha um contra o outro.

Um dos dois pode mudar a América. A partir de hoje.

Message in a bottle

Mensagem numa garrafa a ser encontrada numa praia de Ovar (a escolha do exemplo ficcionado tem só a ver com latitudes): "I'am writing from the besieged city of Washington to plead for help...".

A leitura continua: "escrevo a 4 de Novembro e a cidade está ocupada, há meses, por duas facções: republicanos e democratas.

A população tem sido bombardeada desde o início do ano com ataques brutais dos gangs beligerantes, tentando capturar-nos para as suas causas. A vida beira o insuportável. A televisão só tem olhos para esta guerra que todos envolve e ninguém poupa.

Hordas de republicanos ameaçam que uma vitória do adversário equivale à queda do Império Romano. Hordas de democratas avisam para o regresso à Idade Média, se perderem.

Sim, claro, que exagero, mas todas as hiperboles são isso mesmo, um exagero.

Onde não haverá exagero será em antecipar para logo mais uma noite com entrada reservada na história das noites eleitorais deste país. Vença Obama e o capítulo a escrever terá ainda mais páginas.

José Bastos, nos Estados Unidos

A última esperança

Dois anos depois da decisão de avançar, 632 dias com muitos altos e alguns baixos, Obama foi à Virginia fazer um discurso “à Luther King”. Antes passou pela Florida e Carolina do Norte. Três estados “republicanos” e uma só ideia: “One more day”.



Dez anos depois da primeira intenção de concorrer à Casa Branca e como um bom ex-combatente do Vietname, John McCain foi buscar as suas últimas forças para nadar até à praia.

Num só dia, atacou em sete estados: Florida, Tennessee, Pensilvânia, Indiana, Novo México, Nevada e Arizona.

Fechou a campanha em casa, mas um dos últimos discursos antes das eleições de hoje foi em Tampa, na Florida. Num último fôlego, fica o pedido para todos: "Volunteers, knock on doors, get your neighbors to the polls. I need your vote."

Lá… não como cá

Como se combate a abstenção?

Para além de tornar a política interessante, por que não esclarecer as pessoas?

Num sistema eleitoral complicado como o norte-americano, o programa matinal da CBS News convidou Mark Kitchens para explicar as 5 ideias essenciais para esta terça-feira:

1.Ter certeza de que está registado e trazer o BI (à excepção do Dakota do Norte, onde nem é preciso registo)
2.Saber onde é a sua mesa de voto e a que horas fecha
3.Democratas e republicanos vota todos no mesmo dia (porque ainda há quem pense que não)
4.Deixe todo o material de campanha em casa
5.Vá votar. Todos os votos contam (as eleições de 2004 decidiram-se por menos de 120 mil votos no Ohio, enquanto as de 2000 ficaram resolvidas por 537 votos na Florida).

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Improvável, mas não impossível

Nas próximas horas quem - garantidamente - não terá um minuto de descanso serão os tripulantes do Obama Jet e do McCain Jet. Os pilotos dos aviões de campanha terão de preparar sucessivas aterragens e descolagens de vários pontos da geografia eleitoral norte-americana neste frenético fim de festa.

Obama, mostrando uma invejável dose de auto-confiança, saltita por estados vencidos por Bush em 2004 e de larga tradição republicana. Já McCain andará por território favorável, com a excepção da Pensylvania.

McCain olha para este estado como o único dos que Kerry venceu em 2004, que, em 2008, pode inclinar-se para o Partido Republicano.

E porquê tanta atenção? Porque os 21 votos do estado no Colégio Eleitoral podem compensar uma eventual perda de 13 da Virginia e 7 do Iowa.

Há dois dias falava-se de McCain a encurtar distâncias nas sondagens, mas esta segunda-feira a vantagem volta ao lado de Obama com, no mínimo, 5 pontos, no máximo 8.

Nas projecções para o que realmente conta, o Colégio Eleitoral, o orgão que elege o presidente, Obama terá, na média de todas as sondagens, 291 votos dos 538 totais, sendo que 270 chegam para ganhar.

Quer isto dizer que tudo está já perdido para McCain? Não necessariamente.

Ponderem-se, então, estas hipóteses, distantes, mas não, totalmente, negligenciáveis:

1. É possível que boa parte dos eleitores republicanos não estejam a ser consultados nas sondagens ou, via "efeito Bradley" mentem na preferência assinalada?

2. É possível que boa parte dos 5 a 7% de indecisos se volte para McCain?

3. É possível que boa parte do eleitorado Obama, desencorajado pela atmosfera do "já ganhou", não se desloque às urnas?

A resposta afirmativa a todas - ou a apenas uma - destas questões será improvável, mas impossível, impossível, não é!

José Bastos, nos Estados Unidos

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Candidato de raça

Se Obama ganhar, os Estados Unidos - país que há não mais que 50 anos ainda combatia a segregação racial no Sul - estarão a viver um momento para a história: a chegada do primeiro afro-americano à Casa Branca.

Barack Obama é percepcionado como um candidato negro e pode ser que, por isso, conte com o apoio dos brancos progressistas na presunção de que a sua presidência varrerá todos os pecados brancos cometidos da escravatura em diante.

Mas Obama não é descendente de escravos e a sua matriz cultural não tem nada em comum com a dos negros norte-americanos.

É filho de uma mãe ultraprogressista que rejeitou a sua identidade branca e os próprios Estados Unidos (preferiu a Indonésia) com opiniões moldadas na urbana e esquerdista Chicago.

Esquerdista e negro. Poderá ser a raça um factor decisivo nestas Presidenciais?

Em bom rigor, das opiniões que escuto, a maioria coincide em que pode não estar tudo - necessariamente - decidido. Por causa da raça.

Nas sondagens, Obama lidera com 5 a 8 pontos, mas o "factor raça" pode valer nas urnas menos 5, 6 pontos.

Ainda assim também se sugere que o "efeito Bradley" - quando, por receio de parecer racistas, os eleitores ocultam os preconceitos nas respostas às sondagens - não voltará a repetir-se, porque a sociedade mudou muito desde 1982, quando o candidato negro Bradley viu na California que, ao contrário das consultas de opinião, nas urnas venceu um candidato branco.

A sociedade mudou, há mais médicos, advogados, universitários negros. A campanha foi tão longa que o eleitor com preconceitos raciais já se terá habituado à figura de Obama.

Por aqui também se lembra que Truman percebeu melhor que ninguém a sociedade americana em 1948 e, por isso, ganhou contra todos os prognósticos.

Desta vez, Obama poderá ter feito a leitura correcta do mosaico social de 2008, mais multicultural, mais plural.

Faltará saber se a leitura que a sociedade norte-americana fará na próxima terça-feira é coincidente com a do senador negro, mas a verdade é que ninguém garante que a raça não seja "o factor" destas eleições.

José Bastos, nos Estados Unidos

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Halloween democratizado

Todos os anos, os norte-americanos celebram o Dia das Bruxas a 31 de Outubro. Uma das características são as lanternas feitas de abóboras, com uma vela dentro.

Este ano, os democratas resolveram "obamizar" as suas lanternas. Com o nome, o logotipo ou a sua face, consoante o jeito do autor. Nunca uma festa de Halloween tinha sido tão politizada e o resultado pode ser visto aqui.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eleições "à espanhola"

Sabendo dos problemas que tiveram há quatro anos para fazer chegar a mensagem à comunidade hispânica, a campanha democrata aposta no tudo por tudo. Seguindo à risca o conselho do senador do Novo México, Bill Richardson, resolveu emitir três anúncios totalmente em castelhano.

Os spots televisivos, de 30 segundos cada, vão ser emitidos apenas nos cinco estados com maior implantação "hispânica": Novo México, Colorado, Florida, Nevada e Virgínia.

"Peço-vos que votem não só por mim e pelos democratas, mas para preservar o sonho americano para vocês e para os vossos filhos", afirma Obama em castelhano.



De acordo com as sondagens, os 9 milhões de eleitores hispânicos pendem agora, na sua maioria, para o lado democrata. Em 2004, tinham votado 44% em Bush, mas não eram mais do que 7,6 milhões...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mudar de atitude

Momentos históricos extraordinários requerem medidas extraordinárias e a crise do sistema financeiro internacional continua, provavelmente, a exigir ainda mais decisões extraordinárias, depois do fracasso das tentativas de conter os efeitos explosão da borbulha do subprime, aqui nos Estados Unidos.

A pista é lançada por um gestor português, Carlos Pinho, vice-presidente do CrownBank, com décadas de experiência no sector financeiro norte-americano.

Em entrevista à Renascença, Carlos Pinho reconhece que levará tempo até que possa ser avaliado o custo total de toda esta operação para o contribuinte norte-americano, mas a mensagem do gestor é de total confiança na solvência futura do sistema.

O que aconteceu não foi, afinal, uma falha de mercado, mas sim, a acção concertada do fracasso da política monetária excessivamente líquida, outra falha de uma política de regulação financeira ineficaz, porque complacente, e outro fracasso ainda da política de supervisão.

O contribuinte norte-americano e, por extensão, em tempos de globalização - o contribuinte global, pagará uma factura elevada que pode ser calculada em vários pontos do PIB, provavelmente, durante uma década, mas pode sair mais caro deixar o sistema cair e precipitar o mundo numa recessão económica sem precedentes.

Não se trata mais de socializar perdas privadas, mas como, acertadamente, refere Carlos Pinho, de permitir que o sistema financeiro possa voltar a funcionar com normalidade e confiança.

Já só vale mudar de atitude.

José Bastos, nos Estados Unidos

domingo, 26 de outubro de 2008

A playlist dos candidatos

John McCain e Barack Obama aceitaram o desafio da revista "Blender" e revelaram ao mundo as suas dez músicas de sempre.

Nesta batalha de DJ's com a Casa Branca em pano de fundo, o republicano assume-se como fã de ABBA e o democrata como um eclético ouvinte de rock, jazz, soul ou hip hop.

E para quem acha que os dois candidatos não têm nada em comum, desengane-se, porque a voz de Frank Sinatra consegue ser o factor de união.

Nota aos mais desatentos: Os nomes de algumas músicas não são inocentes.

BARACK OBAMA
1. Ready or Not - Fugees
2. What’s Going On - Marvin Gaye
3. I’m On Fire - Bruce Spingsteen
4. Gimme Shelter - Rolling Stones
5. Sinnerman - Nina Simone
6. Touch the Sky - Kanye West
7. You’d Be So Easy to Love - Frank Sinatra
8. Think - Aretha Franklin
9. City of Blinding Lights - U2
10. Yes We Can - will.i.am

JOHN McCAIN
1. Dancing Queen - ABBA
2. Blue Bayou - Roy Orbison
3. Take a Chance On Me - ABBA
4. If We MakeIt Through December - Merle Haggard
5. As Time Goes By - Dooley Wilson
6. Good Vibrations - The Beach Boys
7. What A Wonderful World - Louis Armstrong
8. I’ve Got You Under My Skin - Frank Sinatra
9. Sweet Caroline - Neil Diamond
10. Smoke Gets In Your Eyes - The Platters

Ricardo Vieira

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Afinal…

Quem lida melhor com a crise? A Forbes tenta responder.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Critérios duvidosos

A Al-Jazeera foi até uma pequena localidade no Ohio para sondar os apoiantes de McCain e Palin. A peça que daí resultou é particularmente interessante. Os comentários que a reportagem colheu entre alguns dos eleitores são na sua esmagadora maioria racistas, falsos ou simplesmente… bizarros.

Desde a velhinha que insiste no já desmentidíssimo boato: “Ele não é cristão! Somos um país cristão, o que será feito do país se ele ganhar?” até ao jovem com uma filha às cavalitas que recorre a linguagem bíblica: “Obama parece-me um lobo em pele de cordeiro. Já a Palin, acredito que está cheia do Espírito Santo e trará integridade e honestidade à Casa Branca.”

A reacção dos republicanos foi de criticar a Al-Jazeera, e dizer que o jornalista tinha apresentado os comentários fora de contexto. Embora seja complicado perceber em que contexto é que comentários como “Temo que, se ele ganhar, os negros tomem conta do sistema” deviam ser lidos para ter um sentido diferente.

Mas talvez as críticas à Al-jazeera não sejam totalmente descabidas. Todas as pessoas com quem falaram naquele evento eram racistas primárias? Não havia uma única pessoa com dois dedos de testa? O critério de selecção dos comentários usados deixa algo a desejar, embora sirva para mostrar que atitudes e medos destes ainda existem, em particular nos meios mais rurais.

Destaque ainda para o pobre coitado que, tendo-se colocado perto da entrada do comício com um cartaz a apoiar Obama, depois se queixou de estar a ser insultado. Imagine-se!

Filipe d'Avillez

domingo, 19 de outubro de 2008

"Money Money"

Os contabilistas de Barack Obama não têm mãos a medir por estes dias. Em Setembro, a campanha do candidato democrata angariou a quantia recorde de 150 milhões de dólares.

Os donativos dos "generosos" apoiantes do senador do Illinois dariam, por exemplo, para comprar um Estádio do Dragão e ainda sobravam uns "trocos".

Obama e o seu adversário republicano, Jonh McCain, preferem adquirir espaço nos "media", para fazerem chegar a mensagem aos milhões de eleitores norte-americanos, dispersos por 50 estados.

Ao contrário do candidato democrata, McCain optou por seguir o modelo de financiamento público. Isto significa que, de 1 de Setembro até ao fim da campanha, tem 84 milhões de dólares para gastar, mas também poderá contar com alguns dos fundos angariados pelo Comité Nacional Republicano.

Ricardo Vieira

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Perguntas de algibeira

As perguntas que muitos fazem… mas que poucos sabem responder.


Que eleições são estas?
Para além do 44.º Presidente dos Estados Unidos, no dia 4 de Novembro estarão em jogo também todos os lugares da Câmara de Representantes e um terço dos lugares no Senado. Também sete Governadores estaduais vão a votos, várias assembleias estaduais e outros pequenos cargos estatais.

O que é que há de diferente este ano?
O Partido Democrata escolheu Barack Obama para seu candidato. Ele é o primeiro negro a ser nomeado para a Presidência dos Estados Unidos.

O Partido Republicano nomeou John McCain que, se for eleito, será o mais velho Presidente de sempre num primeiro mandato (72 anos).

Pela primeira vez desde 1928, não estão na corrida um Presidente em busca de um segundo mandato ou um vice-presidente em busca de um primeiro mandato como Presidente.

Quais as apostas políticas de cada um?
O estado da economia norte-americana dominou toda a campanha e pode influenciar a tendência de voto dos eleitores. O Iraque é outro tema “quente” e que divide os dois candidatos: Obama quer uma retirada a curto/médio prazo, enquanto McCain prevê uma retirada gradual à medida que a situação no terreno vá estabilizando.

Fomentar o acesso aos cuidados de saúde é um dos principais objectivos democratas, enquanto a imigração ilegal é o tema que mais “mexe” com os republicanos.
Preocupados com os preços do patróleo, os dois candidatos querem reduzir a dependência energética dos Estados Unidos do crude importado, mas as soluções propostas diferem.

McCain aposta na exploração de novas jazidas na costa, enquanto Obama defende uma maior eficiência energética nos automóveis usados pelos americanos.
Temas sociais como o aborto, investigação médica em células estaminais e casamento homossexual tiveram menos importância na campanha, quando comparados com a última eleição, em 2004.

A campanha é igual em todos os estados?
Não. Há estados onde um ou outro candidato nem sequer vão, dado serem bastiões do adversário. Um estado tipicamente republicano, como o Alabama, “não merece” a atenção de Obama, por exemplo.

Os candidatos apostam, isso sim, nos estados “flutuantes” - aqueles que tanto podem votar democrata como republicano e que podem significar a vitória para um ou outro lado. E até os anúncios televisivos são apostas locais.

Quais são esses estados-chave?
As tendências recentes mostram que os estados costeiros votam democrata e que os do interior apostam nos republicanos.
Há, no entanto, alguns que não têm voto certo. É o caso da Florida, Ohio e Pensilvânia (que têm, cada um, 20 votos no colégio eleitoral) e ainda o Colorado, Iowa, Michigan, Minnesota, Novo México, Nevada, Virgínia e Wisconsin.

E as previsões de cada um?
Obama acredita que pode desafiar McCain que foram, até há pouco tempo, bastiões seguros dos republicanos. É o caso da Carolina do Norte, onde o grande esforço tem sido o de garantir o voto da comunidade afro-americana.
Por seu lado, McCain julga poder ganhar no até agora democrata Oregon.

Afinal, vence o candidato mais votado, ou não?
Não necessariamente. Os eleitores não elegem directamente o seu candidato. Votam em “grandes eleitores” que, previamente, se mostraram apoiantes deste ou daquele candidato. São esses 538 “grandes eleitores” que escolhem, de facto, o Presidente e os maiores estados têm mais “grandes eleitores” que os pequenos estados.

As regras são iguais em todos os estados?
Não. À excepção do Maine e Nebraska, em todos os estados, quem tem mais votos elege todos os “grandes eleitores” desse estado. Nem que seja uma vitória por 0,1%, dá a totalidade dos votos ao republicano ou ao democrata.
Por isso, pode acontecer (como já aconteceu com Bush e Gore) que o candidato que teve mais votos no total não venha a ser o vencedor. Baste que tenha mais “grandes eleitores” que o adversário.

Obama e Mccain são os únicos candidatos?
Não. O independente Ralph Nader candidata-se pela terceira vez consecutiva (depois de 2000 e 2004). Acusado pelos democratas de ter dispersado o voto do centro-esquerda em 2000 e de ter contribuído para a derrota de Al Gore, este ano não deverá ter um papel tão importante. Defende um sistema de saúde universal e é contra a energia nuclear. Defende um imposto sobre a poluição e cortes radicais na Defesa.

Brian Moore, do Partido Socialista, quer o fim da guerra no Afeganistão e no Iraque, exige um sistema de saúde abrangente e universal e defende a nacionalização de sectores como a banca os seguros, a indústria petrolífera ou os transportes.

Obama não é o único negro a concorrer. Cynthia McKinney, do Partido Verde dos EUA quer uma política energética verde, é contra os alimentos geneticamente modificados e defende cortes profundos na Defesa.

Outro outsider é a voz do programa de rádio “Chuck Baldwin Live”. O pastor baptista Chuck Baldwin dá a cara pelo Partido da Constituição.

Porquê um elefante e um burro?
O elefante tornou-se a mascote dos republicanos em 1874. Tudo graças a um cartoon publicado na Harper’s Weekly. Dependendo do ponto de vista, tanto é visto como um animal forte e digno (pelos conservadores)… como grosseiro (pelos democratas).

Quanto ao burro, surgiu de um insulto e acabou numa prova de sentido de humor. Em 1828, Andrew Jackson era chamado de “burro” pelos adversários republicanos. Em vez de levar a mal… o democrata resolveu adoptar o animal como mascote do seu partido. Para os democratas é um símbolo de persistência, coragem e de trabalho, enquanto, para os republicanos, é teimoso e ridículo.

De onde vem o dinheiro gasto nas campanhas?
De várias proveniências. Antes de mais, existe o Political Action Committee, uma organização política independente dos partidos, constituída por vários grupos ou pessoas individuais que angariam todo o tipo de doações para as campanhas dos seus candidatos. A título de exemplo, há quatro anos, o “MoveOn”, de John Kerry, arrecadou milhões numa tentativa falhada de derrubar Bush. Este ano, a candidatura de Obama já bateu todos os recordes.

O que é a “batalha das celebridades”?
É uma guerra à parte. Para além do dinheiro, cada candidato tenta contar com o apoio público de celebridades, sobretudo do mundo do espectáculo.

Este ano, John McCain conta com Sylvester Stallone e Tom Selleck (actores), Arnold Schwarzenegger, Rudy Giuliani e Joe Lieberman (políticos), bem como com o General Norman Schwarzkopf (mítico militar da primeira Guerra do Golfo) e o antigo secretário de Estado Henry Kissinger.

Já Barack Obama conta com o apoio de Oprah Winfrey (apresentadora de TV), Toni Morrison (escritor), George Clooney, Scarlett Johannson, Halle Berry, Robert De Niro e Tom Hanks (actores), David Geffen (produtor) e Bruce Springsteen (músico). Isto para além de Ted Kennedy, John Kerry, Hillary Clinton, Al Gore ou o reverendo Jesse Jackson.

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