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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Seja qual for o resultado…

…o que mais preocupou os americanos hoje, quando foram votar foi… a economia.

Numa sondagem à boca das urnas, mais de nove em cada dez* norte-americanos reconhecem que a situação económica “é má” e seis em cada dez dizem que a economia é o mais importante desafio da nação.

Diz a História que, sempre que o pensamento foi este, a eleição acabou com uma viragem política na Casa Branca. Foi assim em 1992, 1980, 1960 e 1932.

Curioso que, em 2004, os eleitores estavam mais divididos quanto à economia. 47% diziam que estava “boa” ou “excelente”, enquanto 52% diziam que estava “em má forma”.

Na altura, os “pessimistas” votaram no democrata John Kerry (cerca de oito em cada dez). Quanto aos “optimistas”, nove em cada dez deram voto a Bush.

Desta vez, como será?


*isto das médias nas sondagens tem destas coisas. O que serão, por exemplo, 9,2 americanos em cada dez? Nove americanos e um antebraço? Nove americanos, duas orelhas, um nariz e meio pé?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ohio: Será que interessa?

Uma das vozes mais lúcidas da América referia no écran da MSNBC que, apesar de tanto se ter falado do Ohio, pode ser que esse estado não conte para coisa nenhuma. Ou seja, a dimensão do descalabro eleitoral de John McCain será de tal magnitude que Obama se dará ao luxo de dispensar estados.

Nas contas da média das sondagens da RealClear Politics, Obama vence no Colégio Eleitoral por 364 a 174. Para a Casa Branca são apenas necessários 270 e, nesse caso, Obama não precisa do Ohio. Mais: não necessita sequer da Florida. Será o que a voz lúcida (C. Todd, editor de política da MSNBC) chamava de estratégia “Virginia-Colorado” para vencer a América.

A Newsweek desta semana publica a “milionésima” capa, no que vai de ano, com a foto de Obama e o titulo: “A América conservadora: como Obama pode governar uma nação de centro-direita”. O exemplo de Todd não vale para criticar a revista – que desde Janeiro fez o que pôde para eleger Obama – mas para alavancar a tese de que se dá por garantida a vitória do democrata a 4 de Novembro.

A verdadeira preocupação da América conservadora será a de não “perder por muitos”. “Perder por muitos”, no léxico do ciclo eleitoral em curso, significa que os democratas podem ampliar a sua vantagem na Câmara de Representantes e uma maioria significativa no Senado.

Se as previsões baterem certo não deixará de ser irónico que num momento de incerteza económica, no mínimo, ou de fim de ciclo, no máximo, a “nação conservadora” se coloque nas mãos dos democratas que abomina, entre outras razões, pela subida de impostos. E, claro, seria curioso, Obama descartar o mesmo Ohio que deu a presidência em 2004 aos republicanos.

José Bastos

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