No Washington Post, a repórter Shailagh Murray, que acompanhou a campanha de Barack Obama relata a experiência de ter visto a ascensão de um homem que se julgava seria esmagado pelo clã Clinton, mas que, afinal, consegue sentar-se na mesma cadeira que Bill ocupou durante oito anos.
A capacidade de comunicação foi, desde o início, o grande trunfo de Obama, que foi “convertendo as pessoas como se fosse um missionário”.
E foi assim que um jovem senador negro, um novato nestas coisas da política norte-americana, conseguiu o lugar de homem mais poderoso do mundo. A prova de que a América é mesmo a “land of opportunities”.
Foi um caminho longo, mas, graças à mais bem organizada campanha da história (facto reconhecido por democratas e republicanos), um afro-americano chega onde nenhum outro tinha sequer sonhado chegar.
A CBS mostra, em menos de três minutos, os momentos-chave desse caminho.
A noite de 4 de Novembro foi a resposta aos que ainda duvidavam que a América é um sítio onde tudo é possível.
Foi assim que começou o discurso de vitória de Barack Obama, perante milhares de pessoas em Chicago e milhões em casa. Na multidão, personalidades como Jesse Jackson ou Oprah Winfrey.
Agradecimentos a John McCain, a Joe Biden, à família e amigos, aos elementos da campanha e ao povo americano…
Apesar das celebrações de hoje, os desafios de amanhã são os maiores de sempre. A situação é difícil, é preciso criar empregos, construir escolas e renovar alianças. Mas [Obama]nunca esteve tão esperançado de que a América chegará lá.
Quase meio século depois, substitui-se o “I have a dream” por “Yes we can”.
A América pode mudar. O exemplo de uma mulher de Atlanta que foi votar aos 106 anos, que assistiu a Pearl Harbour, que viu o homem chegar à Lua, que não pôde em tempos votar por ser mulher e pela cor da pele... mas que vê, agora, o primeiro negro na Casa Branca.
Dois anos depois da decisão de avançar, 632 dias com muitos altos e alguns baixos, Obama foi à Virginia fazer um discurso “à Luther King”. Antes passou pela Florida e Carolina do Norte. Três estados “republicanos” e uma só ideia: “One more day”.
Dez anos depois da primeira intenção de concorrer à Casa Branca e como um bom ex-combatente do Vietname, John McCain foi buscar as suas últimas forças para nadar até à praia.
Num só dia, atacou em sete estados: Florida, Tennessee, Pensilvânia, Indiana, Novo México, Nevada e Arizona.
Fechou a campanha em casa, mas um dos últimos discursos antes das eleições de hoje foi em Tampa, na Florida. Num último fôlego, fica o pedido para todos: "Volunteers, knock on doors, get your neighbors to the polls. I need your vote."
Para além de tornar a política interessante, por que não esclarecer as pessoas?
Num sistema eleitoral complicado como o norte-americano, o programa matinal da CBS News convidou Mark Kitchens para explicar as 5 ideias essenciais para esta terça-feira:
1.Ter certeza de que está registado e trazer o BI (à excepção do Dakota do Norte, onde nem é preciso registo) 2.Saber onde é a sua mesa de voto e a que horas fecha 3.Democratas e republicanos vota todos no mesmo dia (porque ainda há quem pense que não) 4.Deixe todo o material de campanha em casa 5.Vá votar. Todos os votos contam (as eleições de 2004 decidiram-se por menos de 120 mil votos no Ohio, enquanto as de 2000 ficaram resolvidas por 537 votos na Florida).
Obama, McCain, Biden, Palin… afinal, o que os distingue? As propostas, é certo. Mas há algo mais: os partidos. O que é ser democrata? E republicano? A CNN tentou responder.
A Renascença foi saber se seria possível em Portugal um fenómeno semelhante ao de Obama nos Estados Unidos.
E resolveu dar voz aos africanos que, por esta ou aquela razão, ficaram conhecidos no nosso país: Helder Amaral (deputado angolano do CDS-PP), Celeste Correia (deputada cabo-verdiana do PS), Fernando Ká (ex-deputado guineense do PS e actual presidente da Associação Guineense de Solidariedade Social) Ângelo Torres (actor são-tomense), Helmer Araújo (jornalista guineense), Valete (rapper de pais são-tomenses) ou Celeste Quintino (antropóloga guineense do ISCSP).
Curiosamente, à esquerda e à direita do espectro político, surgem críticas à falta de representatividade das minorias no Parlamento e acusa-se a sociedade portuguesa de um racismo “cada vez mais subtil”. Todos acham que é “impossível” um “Obama” em Portugal, pelo menos neste século.
A reportagem é de Joana Beleza e pode ser vista aqui.
Todos os anos, os norte-americanos celebram o Dia das Bruxas a 31 de Outubro. Uma das características são as lanternas feitas de abóboras, com uma vela dentro.
Este ano, os democratas resolveram "obamizar" as suas lanternas. Com o nome, o logotipo ou a sua face, consoante o jeito do autor. Nunca uma festa de Halloween tinha sido tão politizada e o resultado pode ser visto aqui.
A menos de uma semana das eleições, os candidatos jogam os últimos trunfos em busca de votos.
Do lado democrata, algo nunca visto: um anúncio/publicidade/campanha de quase meia-hora em prime-time em algumas das maiores cadeias norte-americanas.
NBC e CBS receberam um milhão de dólares para passar este infomercial (mistura em inglês das palavras information e comercial - anúncio).
Alguns analistas consideraram esta estratégia "um exagero" de Barack Obama, outros disseram que serviu para "secar" o candidato republicano.
John McCain acabou por ter uma escapatória: a CNN. O canal de notícias não passou a mensagem de Obama e preferiu dar "tempo de antena" a McCain no programa de Larry King.
Os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS), ambos norte-americanos, também vão votar nas eleições para a Casa Branca.
Graças a uma lei instituída em 1997, os astronautas americanos, cuja maioria está recenseada na cidade de Houston, no Texas, ou arredores, têm a possibilidade de votar a partir do Espaço.
Um "procedimento electrónico de votação segura" – segundo a NASA – permite fazer chegar os votos a Terra.
Assim, o comandante Edward Michael Fincke e o engenheiro de voo Greg Chamitoff vão escolher o seu candidato a cerca de 400 quilómetros de altitude e a uma velocidade de mais de 28 mil km/h.
Neste ciclo eleitoral qualquer candidato republicano teria iniciado a campanha com a desvantagem de oito anos consecutivos de um republicano na Casa Branca.
Por si só, o facto poderia alimentar desejos de mudança, não seria sequer necessário que o actual presidente fosse particularmente impopular.
Todos os momentos positivos de GWB (sim, também os houve: derrota da Al Qaeda, desnuclearização da Libia, Coreia do Norte e Iraque) estão esquecidos e é culpado de todos os males do mundo.
É verdade que a política fiscal de Bush produziu deficits excessivos, mas foi Bill Clinton que criou condições para a entrada dos clientes subprime no crédito hipotecário.
A somar a este lastro, McCain teve, desde o Verão, de enfrentar o último e decisivo inimigo: a desaceleração económica a caminho da recessão. Já este mês a crise económica de Outubro sepultou boa parte do sistema financeiro e afundou a economia real, a que toca nos bolsos do eleitor americano.
Não adianta avaliar se todos estes danos para McCain são desproporcionados devido à presunção da culpa da administração republicana. As desvantagens estão aí e, nesta altura, parecem ser insuperáveis.
Mesmo que Sean Hannity, estrela da FOX NEWS, o canal direito da estereofonia televisiva norte-americana, tenha dedicado boa parte do seu último programa a elencar razões para evitar Obama.
A saber: não tem experiência, frágil em política externa, aumentará impostos e despesa pública, se ganhar leva a uma supermaioria democrata no Congresso e Casa Branca, muda de opinião facilmente, Joe Biden não é de confiança, a imprensa confere-lhe uma aura messiânica e, last but not the least, é amigo de esquerdistas e palestinianos.
Os óculos da candidata a vice-Presidente dos EUA estão na ribalta. Agora, ele há com cada coincidência…
Os Kazuo Kawasaki MP-704 usados por Palin são produzidos na Masunaga Optical Manufacturing, uma fábrica japonesa localizada perto de uma região que tem o nome de Obama.
Ora, esta localidade na costa japonesa, vê com bons olhos e apoia publicamente o rival de Sarah Palin, Barak Obama.
As autoridades municipais de Obama, no Japão, quando repararam na coincidência entre os nomes, resolveram aproveitar para promover a sua região. Lá, encontram-se desde T-Shirts, a bolinhos, Obama burguers (hamburguer de peixe), pauzinhos e até uma música de apoio ao candidato homónimo.
Os óculos de Sarah Palin, esses, continuam a fazer furor. Feitos em titânio, não usam qualquer parafuso e o valor sem lentes, nos EUA, ronda os 255 euros.
O design é do japonês Kazuo Kawasaki, que antes já tinha visto as suas criações nas caras do antigo secretário de Estado Colin Powell ou da actriz Whoopi Goldberg. Mas agora é que o sucesso foi total. A fábrica não tem mãos a medir face à quantidade de encomendas que surgiram desde a primeira vez que Pallin apareceu em público com os óculos.
…foi por perguntas como esta que o candidato democrata à vice-presidência se questionou se estaria num programa de humor.
Em entrevista à WFTV, Joe Biden não reagiu bem às perguntas que lhe foram sendo postas pela jornalista.
Mais tarde, a campanha de Obama “retaliou”, cancelando uma entrevista que estava agendada com a mulher de Joe Biden.
No comunicado pode ler-se:
“There's nothing wrong with tough questions, but reporters have the very important job of sharing the truth with the public -- not misleading the American people with false information. Senator Biden handled the interview well; however, the anchor was completely unprofessional. Senator Biden's wife is not running for elected office, and there are many other stations in the Orlando television market that would gladly conduct a respectful and factual interview with her”.
O sistema eleitoral norte-americano é de tal modo complicado, que as autoridades temem uma elevada abstenção. Afinal, quem alinha em algo que não compreende? Por isso, sucedem-se as tentativas de explicar o que nem sempre é fácil de perceber. Nem que seja... em inglês básico!
Em tempo de vacas magras… o Comité Nacional Republicano resolveu gastar, só em Setembro, 150 mil dólares (116 mil euros) em roupas, acessórios e maquilhagem para Sarah Palin (cabeleireiro incluído… 4.716 dólares).
Estes gastos levantam questões entre os especialistas sobre a sua legalidade, até porque não é suposto gastar dinheiro da campanha em proveito pessoal. Mas a candidatura defende-se e diz que é dinheiro gasto “em estratégia”.
Quem já viu as facturas, acha estranho que faça parte da estratégia a compra de roupa de bebé… e de homem!
A porta-voz, Tracey Schmitt, limita-se a dizer que “com todos os problemas que afectam o país, é notável que estejamos a gastar tempo a falar de fatos e blusas”. E garante que “sempre foi nossa intenção doar para fins caritativos a roupa no final da campanha”.
A Al-Jazeera foi até uma pequena localidade no Ohio para sondar os apoiantes de McCain e Palin. A peça que daí resultou é particularmente interessante. Os comentários que a reportagem colheu entre alguns dos eleitores são na sua esmagadora maioria racistas, falsos ou simplesmente… bizarros.
Desde a velhinha que insiste no já desmentidíssimo boato: “Ele não é cristão! Somos um país cristão, o que será feito do país se ele ganhar?” até ao jovem com uma filha às cavalitas que recorre a linguagem bíblica: “Obama parece-me um lobo em pele de cordeiro. Já a Palin, acredito que está cheia do Espírito Santo e trará integridade e honestidade à Casa Branca.”
A reacção dos republicanos foi de criticar a Al-Jazeera, e dizer que o jornalista tinha apresentado os comentários fora de contexto. Embora seja complicado perceber em que contexto é que comentários como “Temo que, se ele ganhar, os negros tomem conta do sistema” deviam ser lidos para ter um sentido diferente.
Mas talvez as críticas à Al-jazeera não sejam totalmente descabidas. Todas as pessoas com quem falaram naquele evento eram racistas primárias? Não havia uma única pessoa com dois dedos de testa? O critério de selecção dos comentários usados deixa algo a desejar, embora sirva para mostrar que atitudes e medos destes ainda existem, em particular nos meios mais rurais.
Destaque ainda para o pobre coitado que, tendo-se colocado perto da entrada do comício com um cartaz a apoiar Obama, depois se queixou de estar a ser insultado. Imagine-se!
…mas foi por esta interpelação durante a campanha de Obama, sobre os planos fiscais do candidato democrata, que Joe o Canalizador começou a ser conhecido para além das fronteiras do bairro.
O enviado especial da Renascença, José Bastos, e o correspondente nos Estados Unidos, Filipe Vieira, narram aqui os momentos que fazem uma campanha. As notas pessoais dos jornalistas, a análise e a informação actualizada para um outro olhar sobre as eleições presidenciais nos EUA.